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21 de mar de 2017

O 1º culto protestante no Brasil e o Dia Internacional da Mulher


No dia 10 de março de 1557, na baía da Guanabara, os huguenotes Pierre Richier e Guillaume Chartier, pastores calvinistas enviados por João Calvino, celebraram o primeiro culto protestante no Brasil. O texto utilizado no sermão foi o salmo 27.4: “Ao Senhor Eterno peço somente uma coisa: que Ele me deixe viver na sua casa todos os dias da minha vida, para sentir a sua bondade e pedir a sua orientação.”. Neste dia foi celebrada também a primeira Ceia do Senhor, em nosso país.

No entanto, o vice-almirante Nicolas Durand de Villegaignon, responsável pela tentativa de colonização francesa no território brasileiro, passou a perseguir os colonos huguenotes em virtude de divergências teológicas. Foram proibidos os cultos calvinistas, as reuniões de oração e, por conseguinte, foi decretada a expulsão daqueles pastores. Isso desencadeou um confronto direto entre os colonos franceses e os índios tupinambás, como quem os pastores calvinistas iniciaram um amistoso trabalho missionário. Expulsos, os pastores decidiram não embarcar de volta rumo à França e, assim, Villegaignon os aprisionou e os obrigou a deixar por escrito sua posição teológica, documento conhecido posteriormente como Confissão de Fé da Guanabara. Não satisfeito, Villegaignon os condenou à morte.

Divergências teológicas foram o motivador de muitos males cometidos contra aqueles que pensam de maneira diferente, isto é, contra “hereges”. A palavra “heresia” vem do grego “haerĕsis”, que significa “escolha” ou “opção”. Hereges são todos aqueles que optam por uma outra interpretação das Escrituras, diferente daquela que foi aceita por um determinado grupo. Não há problemas haver interpretações divergentes; é por meio de outros pontos de vista que revisamos ou confirmamos nossas próprias compreensões da palavra de Deus e de Sua vontade para nós.

Também no mês de março, no dia 8, celebramos o Dia Internacional da Mulher. Há muito que celebrar: muitas foram conquistas e avanços sociais que elas tiveram. Todavia, há também muito que se lamentar. Segundo o “Diagnóstico da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em Minas Gerais 2013-2015”, em Minas Gerais, a cada hora 15 mulheres são vítimas de diversas formas de violência (estupros, torturas, espancamentos, humilhações, homicídios, roubos, etc.). Quase metade cometida pelos próprios maridos ou namorados. Em 2016, uma pesquisa levantada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, demonstrou que “40% das mulheres que declararam ter sofrido violência física ou verbal de maridos foram de evangélicas”. 

A luta contra a violência cometida com as mulheres deve começar dentro das igrejas. A interpretação sobre a submissão feminina diante do homem precisa ser debatida e relida sobre a ótica de Jesus Cristo, que acolheu a todos e todas sem fazer nenhuma distinção, pois já “não há homem nem mulher”; somos todos iguais diante de Deus. Uma vez que confrontarmos leituras que tornam as mulheres vítimas silenciosas de seus maridos evangélicos, estaremos seguindo a recomendação do apóstolo Paulo que disse devemos sujeitar “uns aos outros no temor de Deus.”.

*Publicado no boletim da Segunda Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte.

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