Frases

31 de ago de 2016

O que dirão a seu respeito quando tudo isso passar?


Por ser cristão, sempre me perguntei sobre de qual lado eu estaria, se tivesse nascido há dois mil anos na palestina: do lado dos que clamavam "Crucifica-o!" ou se estaria do lado do Cristo, como as mulheres estavam. Por ser brasileiro, sempre me perguntei também de qual lado eu estaria em 1964: do lado dos privilegiados pelo Golpe Civil-militar, ou dos militantes de resistência ao regime de exceção. "De qual lado eu estaria?".

A pergunta que sempre me fiz, não pairou sobre minha cabeça por eu ser uma pessoa que se posiciona tendo em vistas estar do "lado vencedor" ou do "lado mais forte". Nunca fui assim. Sou atleticano, torcedor do Galo das Minas Gerais, e isso por si só deveria ser prova de que eu não escolho um "lado" por este ser o que vai me proporcionar facilidades ou vitórias.

A dúvida sobre o lado o qual eu me posicionaria nas questões supracitadas, ainda estão presentes pelo simples fato de que, sei, as pessoas seguem um caminho a partir de suas identificações pessoais ou informações sobre um determinado caminho. Como me identificar com os que pediam a morte do Messias? Como me identificar com os algozes da nação de 1964? Acredito que essa possível identificação seja possível, uma vez que existe "informação desinformante" no processo de formação do ser humano.

Nossas percepções de "mundo" são embasadas em informações que recebemos sobre o presente e o passado. E, por sua vez, nossas expectativas, caminhos, escolhas e planos são feitos sobre estas percepções. Para que trilhemos um caminho mal, basta que sejamos uma pessoa mal-informada; seja por ausência de informação (ignorância), ou por termos recebido a tal"informação desinformante". Esta última é aquela que existe com intuito de conduzir as pessoas pelo caminho que escolhem para elas. Quase sempre, são informações que colocam grilhões nos mal-informados, submetendo-os à vontade de seus informantes.

Pouco conhecimento sobre o passado e o presente é perigoso. Bem disse George Santayana: "Aqueles que não conhecem o passado, estão condenados a repeti-lo". Já um conhecimento "desinformante", é ainda mais danoso, pois ele serve para conduzir as pessoas sempre em caminhos contrários ao bem comum aos seres humanos. E este conhecimento desinformante é comum à nossa gente. Nossa gente é aquela que desde 1969, dava "boa noite" para o Cid Moreira ao término do "informativo desinformante" Jornal Nacional - jornal este que manipulava as informações à favor do regime de exceção. É também gente que marchou a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", mesmo sendo esta uma caminhada rumo a outro deus e a menos liberdade. É ainda gente que entregava os "irmãos em Cristo" de suas próprias comunidades, por eles serem adeptos do Evangelho Social. Esta nossa gente criou filhos e netos que, por sua vez, outro dia estavam batendo panelas trajando uniforme verde-amarelo bradando "Fora, Dilma!".

E seu eu tivesse nascido há dois mil anos atrás eu estivesse no julgamento do Filho de Deus e me encontrasse na posição de "mal-informado"? E se durante os anos que antecederam e os que prosseguiram o 31 de março de 1964, eu estivesse informado com desinformação? Poxa vida... Que tragédia seria! Diriam que eu compactuei com os assassinos do Deus encarnado; que eu ajudei a impedir o Brasil tivesse avanços significativos na Educação, tendo Darcy Ribeiro e Paulo Freire como suporte do governo de Jango. Diriam isso a meu respeito.

Talvez você seja uma daquelas pessoas que apoiam tudo o que está acontecendo hoje, 31 de agosto, no Congresso brasileiro. E ainda, talvez, você se defenda dizendo para si mesmo "não me importa o que vão pensar de mim". Porém, eu lhe asseguro: irão lhe chamar de golpista; irão dizer que você apoiou um impedimento ilegítimo; irão dizer ainda que você sabia o que estava fazendo ("informação desinformante"); ou no mínimo dirão que você foi um débil ignorante. Sim, meu contemporâneo. Dirão tudo isso de você.

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