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2 de dez de 2015

A burocratização do mal e a Polícia Militar

(Imagem editada)

O que faz com que um policial militar acate ordens de suprimir violentamente um ato pacífico como a ocupação das escolas de São Paulo? Não seriam estas escolas, talvez, estas mesmas escolas as quais seus filhos, sobrinhos, netos, filhos de amigos, etc., estudam e, com isso, precisam de melhor cuidado por parte da administração pública deste Estado? Por que cumprir ordens as quais ele e sua família mesmo seriam punidos, em caso das medidas do governo paulista serem colocadas em práticas?


No livro "Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal", Hannah Arendt levanta a questão sobre a banalização do mal, tendo o julgamento de Adolf Eichmann como objeto de análise. Para a autora, o réu não poderia ser acusado pelos crimes de guerra, por ele comandado e executado pelos soldados, pois ele era apenas um "bom seguidor de ordens", um burocrata. Poderia alguém condenar um funcionário público, honesto e obediente, que cumpriu suas metas, e que não fez mais do que atuar conforme a ordem legal vigente na Alemanha daquela época?

Arendt alerta sobre o perigo da burocratização da vida, isto é, o mero cumprimento de ordens sem reflexão. Neste aspecto o ser humano abstém-se da tarefa de pensar sobre seus atos e ao deparar-se com uma força destrutiva - como o Nazifascismo -, este Homem torna-se massa de manobra para fins de mal extremo. De igual modo, o policial militar em São Paulo, tantos outros policiais de outros Estados, é um exemplo de burocrata que absteve-se de refletir sobre sua prática e torna-se apenas um seguidor de ordens. Ainda que estas atinjam a ele próprio, através de seus filhos, mais adiante.

Podemos observar nos atos de violência dos policiais militares contra civis (professores, alunos e outros que protestam), de forma geral, possuem característica semelhante ao caso analisado por Arendt: eles agem sem reflexão crítica e são facilmente manobrados, tornando-se pessoas de "senso comum". Quando prestam-se a refletir sobre o mundo que os cerca, seu entendimento é embasado em algo que eles mesmos não compreendem. Ironicamente por, talvez, não terem recebido uma educação escolar de qualidade que os preparasse para agirem de forma crítica na sociedade.

Os burocratas da polícia militar agem como os burocratas do exército nazifascista alemão, apenas seguindo ordens. Como se fosse possível, tornam a violência contra civis um ato ainda de maior preocupação da sociedade. Um policial que não possui condição de refletir e, assim negar-se a seguir uma ordem é alguém suscetível a cometer atrocidades a mando de homens que deveriam representar a população. Tendo a tese de Hannah Arendt como parâmetro pergunto: O que diferencia a Polícia Militar do Exército Nazifascista?

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