Frases

24 de nov de 2015

Os filipenses e a temperança


Filipos foi uma importante cidade Macedônia, colonizada por Roma e importante entrada para a Europa dos povos oriundos da Ásia. Durante sua segunda viagem missionária, o apóstolo Paulo passou pela Macedônia. Antes de entrar naquela região o apóstolos dos gentios teve uma visão de um homem macedônio que lhe dizia "passa à Mecedônia e ajuda-nos". A primeira cidade que ele passou foi justamente a cidade de Filipos.

Nesta cidade Paulo e Silas pregaram para algumas mulheres que estavam à margem do rio. Lídia, uma vendedora de púrpura, recebeu a mensagem do Evangelho e juntamente com sua casa fora batizada. Após este evento, Paulo e Silas foram presos por expulsarem o "espírito de adivinhação" de uma escrava. Na prisão um terremoto derrubou as paredes e o carcereiro foi convencido por Paulo a não se matar, uma vez que os demais presos fugiram, e juntamente com sua casa fora batizado. Assim começou a igreja de Filipos.

Essas duas famílias não apenas cresceu a igreja de Filipos numericamente, mas também a fez crescer enquanto comunidade cristã. Esta igreja enviou recursos financeiros para Paulo em Tessalônia (Fl 4.16), em Corinto (2 Co 11.9) e agora novamente por intermédio de Epafrodito. O bom testemunho da comunidade cristã de Filipos é atestada por Paulo no capítulo inicial da carta, Carta esta que tem pouco ensejo doutrinário. Antes é uma carta de agradecimento, contendo alguns conselhos paulinos.

Paulo escreve da prisão (provavelmente Roma). Tendo em vista os conselhos dados pelo apóstolo, podemos compreender que Epafrodito relatou a Paulo sobre os problemas vividos pela igreja de Filipos: judaizantes. Estes julgavam a igreja de Filipos por não seguirem os costumes judaicos e, por conseguinte, serem pecadores. Isso afetou a comunidade de Filipos, que prezava por seu bom testemunho. "Nós acolhemos Paulo quando veio a nossa cidade, lhe suportamos financeiramente e com nosso amor, demos bom testemunho e, assim, a igreja cresceu aqui. Por que passamos por isso?", poderiam indagar os filipenses.

Paulo recomendou que a comunidade que permanece unida no "mesmo sentimento" (2.2); que se lembrassem da "kenósis" do Cristo, que mesmo sendo Deus, abriu mão de sua glória e fez-se comum, igual aos homens, mas foi exaltado pelo próprio Deus. Paulo lembra que o próprio Cristo assumiu a postura de um escravo (2.7), humilhado pela vexatória cruz. Assim os Filipenses deveriam agir: buscar a humildade que está presente no Cristo que se esvaziou e foi glorificado pelo Pai - não pelos homens!

Paulo ainda diz aos filipenses que tais judaizantes não possuem outro deus senão o "próprio ventre" (3.19). Eles seguiam mandamentos que de nada serviam para a vida cristã. Paulo lembra aos filipenses que ele mesmo era "hebreu filho de hebreus", da tribo de Benjamin, fariseu, cumpridor da Lei, mas que para ele tudo isso tinha valor de "esterco" (3.8).

O prisioneiro Paulo incentiva os irmãos filipenses a manter a alegria que Deus lhes proporcionou através de Cristo Jesus. Incentiva-os a manterem-se moderados, isto é, que vivam a vida cristã com temperança, buscando a medida correta para a vida. "Não é o que vocês comem, bebem, leem, escutam, conversam, que dita qual perto ou longe estão de Deus", poderia dizer. "O Senhor está próximo [de vocês]" (4.5). Ele exortou ainda para que nada tirasse a paz dos irmãos, mas que as suas dificuldades, mediante as acusações, fossem apresentadas a Deus, pois o próprio Deus lhes proporcionaria uma paz que excederia qualquer compreensão.

"Finalmente, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor" (4.8). Paulo convida aos filipenses a enxergarem o Deus que se manifesta para além da Lei; para além da religião. Paulo fala de uma Verdade superior, a qual não está presente apenas dentro da religião. Agostinho expressou isso do seguinte modo: "Se aqueles que são chamados de filósofos, em especial os platônicos, disserem qualquer coisa que seja verdadeira e consistente com nossa fé, não devemos rejeitá-la, mas antes reivindicá-la para nosso uso, conscientes de que eles a possuem injustamente... De fato, entre eles [pagãos] encontram-se algumas verdades relativas à adoração do Deus único... Portanto, o cristão é capaz de separar essas verdades de suas infelizes associações, separando-as e utilizando essas verdades de maneira adequadas à proclamação do evangelho." Logo, Deus deve ser procurado pelos cristãos onde Ele estiver: na natureza, na música, na literatura, na poesia, na arte, etc.

Paulo recomenda o que também praticou. "O que aprendentes e herdastes, o que ouvistes e observastes em mim, isso praticai. Então o Deus de paz estará convosco." Paulo em sua carta aos filipenses incentiva que na prática do amor, eles crescessem em conhecimento e sensibilidade (1.9). Conhecimento de Deus e sensibilidade para enxerga-lo onde quer que ele se manifestasse. Isso é maior do que qualquer observância da lei do "isso pode", "isso não pode". Nem a rigidez da Lei, nem os excessos do hedonismo: a vida anseia por temperança, por moderação.

Ciente de que a Verdade poderia estar em meio pessoas e coisas estranhas à vida cristã, Paulo afirma que seu interesse é de que a Verdade seja exposta ao mundo. Não importa o modo (1.17-19). Seja na banda de rock do cantor dependente químico, seja no quadro do pintor promíscuo, seja no livro do escritor bêbado, ou mesmo na natureza que insistimos em maltratar. Paulo exorta aos filipenses para buscarem por BELEZA. Mas não por qualquer tipo de beleza, que a cada época é re-significada com novos padrões. Mas de uma beleza que expresse a origem da palavra própria palavra "beleza": "Bet-El za", isto é, "lugar onde Deus brilha".

E onde Deus brilhar seus seguidores o reconhecerão, pois conhecem a sua voz (Jo 10.1-4). E ainda que os demais acusassem os filipenses de serem pecadores ("avon", isto é, "errar o alvo"), eles deveriam fazer como o apóstolo: "Irmãos, não julgo que eu mesmo já tenha alcançado, mas uma coisa eu faço: esquecendo-me do que fica para trás [a Lei] e avançando para o que está diante [a graça], prossigo para o alvo" (3.13-14). Paulo nos diz, em outras palavras: "Não se preocupem com o que as pessoas dizem sobre vocês, por vocês escutarem música 'secular' ou beber bebida alcoólica. Mantenham um testemunho verdadeiro diante das pessoas e apresentem os seus problemas a Deus, que está próximo de vocês. Busquem a face de Deus, não na legislação da vida, por meio de métodos para se alcançar Deus: ele está na vida, procurem por ele! Olhem para o verdadeiro Belo que está no mundo. Ainda que lhes acusem de estarem errando o alvo, façam como eu: não dê ouvidos; sigam a diante! E Deus irá lhes acalmar o coração."

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