Frases

28 de out de 2015

Um rolezinho pela história nacional


Recentemente houve um surto de "rolezinhos" aos shoppings de algumas capitais brasileiras. Pensei: "Parece que os meninos e meninas aprontaram mais uma vez". E quando é que menino não fez bagunça? Eu mesmo aprontei as minhas e, por certo, você também aprontou as suas. A bagunça que eles aprontaram desta feita está tirando o sono de comerciantes de shoppings centers e de seus respectivos frequentadores que viam ali um lugar seguro e tranquilo - câmeras, segurança, estacionamento vigiado, ar condicionado, etc. - para poderem gastar seu dinheiro. É a vez dos meninos dos "rolezinhos".

Os meninos e meninas, adolescentes, têm marcado pelas redes sociais visitas em massa aos centros de compras que, por sua vez, não querem receber tal público em grande quantidade. Os jovens alegam estarem sendo perseguidos "por serem pobres; da periferia". Os lojistas através da administração dos shoppings se defendem afirmando que tal movimento pretende causar pânico e baderna afugentando, assim, potenciais consumidores. Quem não têm nada haver com a história se manifesta defendendo um lado ou outro com muitas vezes parcos argumentos. Alguns deputados federais já cogitam fazer um sessão especial para debater o caso, ouvi no rádio.

Quem está com a razão neste caso? O tempo dirá. O tempo, isto é a história, sempre tem algo a nos dizer sobre o presente. Os fatos sempre se repetem de tempos em tempos, quase que ciclicamente. E a reação de alguns ao movimento dos adolescentes do "rolezinho" trouxe-me á memória o Brasil pré-Golpe Militar de 64.

Naquele período a publicidade veiculada pela grande mídia fazia alusão a liberdade que a democracia havia trago aos Estados Unidos da América. Em suas propagandas em revistas e jornais o ideal de liberdade era o poder de consumo que o cidadão tinha: quanto maior seu poder para comprar, mais "livre" tal cidadão era. E, assim, o Brasil experimentou uma crescente onda de consumo de produtos importados daquele país. Assim a classe média se distinguia das classes sociais inferiores, consumindo e consumindo.

Com algumas melhorias, poucas, diga-se de passagem, feitas pelo então presidente Jânio Quadros, favorecendo as classes mais baixas da sociedade, tais veículos de comunicação passaram a publicar matérias que destacavam o aumento do poder de compra dos mais pobres do país em detrimento a classe média. As publicações acenderam uma terrível centelha na cabeça da classe média: em breve não poderia se distinguir entre proletariado e a classe média, pois todos poderiam "ser livres", isto é, comprar.

Lembro-me que em minha infância passear no shopping center de minha cidade era algo "chique". Coisa que se fazia com sua melhor roupa e de banho tomado. Comer o sanduíche do palhaço americano? Uma vez por ano. Hoje penso se vou de chinelos ou sandália surrada... O shopping tornou-se ambiente "de qualquer um". Quase todos que moram em capitais costumam ir a tal lugar para comprar, comer ou assistir um filme. O chique virou simplório.

E o que isso tem a ver com o "rolezinho"? Tudo. Existem aqueles que preferem que seja construído um novo ambiente para o periférico cidadão, longe dos consumidores em potencial. "O pobre precisa de um lugar de lazer", ouvi uma opinião sobre o assunto. Chamam isso de inclusão. Ou seria exclusão? Para estes, qual a razão de receber quinhentos, oitocentos, mil jovens que só querem paquerar, reunir sua turma e ouvir sua música em um ambiente "de bacana"? É melhor receber um público menor, mais disposto a gastar uma pequena fortuna em futilidades quaisquer do que receber essa gentinha da sarjeta. Ou não? Um pouquinho pode, um tantão deles nem pensar! Bem vindo a 1964. Outra vez.

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