Frases

1 de ago de 2013

Mostre-me suas feridas e direi quem tu és


Assista ao seguinte vídeo abaixo antes de ler:


Desde que o mundo é mundo os grupos sociais tendem a separar os membros mais fracos, aqueles que tendem a trazer quaisquer tipos de perigos aos demais membros. Os animais doentes pouco a pouco são abandonados pela manada. O boi velho, ou adoentado, é posto para passar primeiro no rio para que as piranhas se concentrem nele e a boiada possa passar sã e salva. Pessoas com doenças que anteriormente não tinham cura, como a lepra, são deixados á margem da sociedade. Pessoas que cometiam algum tipo de pecado, como na Idade Média, eram afastados das cidades e proibidos de manterem contato com seus semelhantes.

Em nossos dias também impera a ideologia de que os danosos devem ser afastados dos grupos sociais. Socialistas dizem que Hitler e seu Nacional Socialismo, Nazismo, assim como Mao Tse-tung, não fazem parte do verdadeiro socialismo marxista. Os muçulmanos dizem que extremistas, os terroristas, não representam a essência do Islam, que etimologicamente deriva da palavra árabe Salam, que significa paz. Ateus insistem que os grupos neo-ateístas não fazerem parte de seu grupo. E nós cristãos costumamos também afirmar que um ou outro grupos (ou seriam vários?) nãos fazem parte do verdadeiro cristianismo bíblico (esse último adjetivo é o mais presunçoso o possível).

Na verdade, o que evitamos é o que está  por detrás de nossas debilidades, isto é, que somos todos parte de um único organismo interdependente. Morremos de medo de ser dependentes do outro. A dependência do outro é uma ponte que conecta cada indivíduo, criaturas de Deus. Nossas debilidades, erros, pecados, fraquezas, etc., deveriam nos aproximar e não nos afastar como sempre acontece. Até mesmo aquilo que temos por desvio serve como fator caracterizante dos grupos sociais. "Mas o que isso tem a ver com Silas Malafaia?" Tudo.

Este homem, o qual eu já investi (perdi?) um bom tempo criticando e xingando algumas vezes, caracteriza o movimento cristão. Sim. Ele não é o primeiro e, infelizmente, não será o último a destoar do que acreditamos ser "o cristianismo verdadeiro". Pessoas que agem como o pastor carioca, no vídeo acima, caracterizam o Corpo de Cristo. Este corpo possui feridas e suas vergonhas foram expostas num alto madeiro, como se no alto do monte já não fosse vexatório o bastante. Homens como este senhor, nos ensinam que nosso movimento, o Cristianismo, deve abrir mão da soberba de pensar que somos superiores aos grupos de outros movimentos. Servem ainda para nos mostrar que o Corpo é Santo, mas as feridas e vergonhas expostas fazem parte de nossa história. Ou você não tem do que se envergonhar?

Falamos aos quatro ventos que somos cristãos, pequenos Cristos, e não agimos como o Cristo. No livro de João é registrado que Jesus ao aparecer para os discípulos, após ressuscitar, vai até o incrédulo Tomé e aponta suas feridas abertas como prova de que era Ele. Jesus poderia ter feito um copinho de vinho a partir de um copo d'água, poderia curar a dor nas costas de alguém que possa ter dormido mal, poderia multiplicar o pão da casa, ou poderia contar uma parábola quem sabe, mas o Cristo preferiu apontar para suas chagas para mostrar a sua identidade. Ele não aparecer envolto em ataduras, escondendo seus ferimentos, como costumamos fazer ocultando nossas falhas e dizendo coisas como "Silas Malafaia não é cristão". Nossa postura diante de casos "assim", deveria ser: "Olha, nós temos o Malafaia, o Feliciano e muitos outros assim. Contudo, também temos o Luther King, a Madre Tereza... Somos um grupo que erra feio, mas também acerta. E o melhor disso é que Deus ama a cada um de nós. Mesmo que sejamos assim." Mas se você não consegue, não se preocupe. Eu também ainda estou tentando.

P.S.: Em outras palavras, existem exemplos como o Malafaia em todos os grupos sociais. Sua existência não deve constranger os demias membros. Seus atos devem servir como incentivo para caminharmos pelo caminho que melhor representa o ideal de nosso grupo, no nosso caso o Cristianismo. É muito cômodo dizer que ele, o Malafaia, não é cristão ou que não nos representa. Contudo, se cada vez que nos desviarmos do cerne daquilo que acreditamos formos "colocados para fora" pelos demais membros, em breve o grupo ficará vazio. Como disse Jesus, que atire a primeira pedra aquele que nunca envergonhou o Evangelho. Parafraseando Paulo, é na fraqueza de sua comunidade que Deus se faz forte.
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