Frases

6 de abr de 2013

Diário de um desigrejado: Décima sétima semana


"Quem sou eu?"

Apesar ter passado pouco mais de três meses desde que desliguei-me de uma comunidade de fé, tenho percebido em minha própria vida uma série de mudanças. Algumas positivas e, infelizmente, outras negativas. Compartilho hoje sobre algumas percepções de um recém desigrejado. Vou comentar sobre alguns perigos os quais enfrento dia após dia.

Embora meu "desigrejamento" não tenha sido algo totalmente planejado, jamais pensei que pudesse enfrentar uma crise de identidade. Sim, em alguns há no afastamento eclesial uma perda de identidade que pode trazer sérios desvios anteriormente não concebíveis. Tenho passado por situações as quais tinha algum domínio sobre elas e, a meu ver, facilidade para lhe dar com determinados problemas. Paro. Penso. Chego a seguinte conclusão: "Já não sou o mesmo. E não gostei desse 'novo eu'."

A primeira atitude que tomei com enorme facilidade enquanto desigrejado foi negar minha antiga identidade. Como um adolescente, andei por alguns caminhos de forma um tanto pueril propositalmente. Tudo o que fazia era como se estivesse tentando me afirmar enquanto desigrejado. Era como se para dizer para mim e para o mundo que eu era diferente do que critiquei e, de certo modo, deixei para trás. Negar a antiga identidade foi o primeiro ato.

Ao negar a antiga identidade percebi que á miúde ela dando lugar a uma nova identidade, um tanto radical. Uma identidade que não era minha. Identidade que era embasada em modelos de cristãos desigrejados que agiam de forma radical para caminharem á passos largos para longe daquilo que foi um dia. Esses tomam a via radical do "desigrejamento" por, talvez, terem sofrido abusos os quais querem a maior distancia física, ética, moral e cronológica. Fazer coisas que antes era "pecado" torna-se um desafio, uma aventura.

O silêncio o qual me propus, foi sendo preenchido por outros sons que destoavam da calmaria da reflexão que o silêncio trás. A perda do silêncio aconteceu-me meio as muitas propostas de barulho. É muito fácil dizer que "está em período de reflexão", quando na verdade qualquer coisa que ocupe a mente é mais interessante do que o momento de reflexão. Não era isso que eu tinha em mente!

Recentemente cheguei a conclusão de que preciso saber todos os dias quem eu sou. "Quem sou eu?", pergunto-me quando me levanto e quando me deito. Esta pergunta tem me mantido acordado e me ajudado a lembrar-me de minha verdadeira identidade. A identidade que tenho no Altíssimo, que foi conquistada por um alto preço.

"Quem sou eu?"

Meu nome é Felipe. Sou casado com a Flávia a oito anos. Sou uma pessoa que decidiu caminhar ao lado de Deus após uma longa vida de tropeços. Aprendi a amar a Deus e só disse que O amava quando verdadeiramente senti isso em meu coração. Decido a servir ao Senhor e as pessoas, fui chamado em minh'alma para fazer seminário teológico. Impelido pelo Espírito fui pastor de jovens por três maravilhosos anos os quais com muita dificuldade e alegria, fui agraciado pela presença de amorosos irmãos na fé. Intrigado pelo modo como o sistema eclesiástico girava a roda de seu moinho, decidi não ser mais vento naquela roda. Eu sou Felipe e espero que o Sol volte a brilhar novamente na Igreja brasileira com ou sem a minha ajuda. Amém.
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