Frases

7 de fev de 2012

O sacerdote, a ilha e o chipanzé


por Maurílio Ribeiro da Silva

Um sacerdote viajava sozinho na proa de um barco. Ele se mantinha afastado do restante da tripulação de gentios, que era composta principalmente de samaritanos, gregos e romanos. A repulsa extrapolava as raias da normalidade. Quando o barco se chocou contra contra um traiçoeiro recife, Ben-Judá não aceitou o socorro, preferindo deitar sobre uma larga tábua desprendida do navio, nadando sem rumo, deixando perplexos os demais náufragos que se acomodavam aliviados aos barcos de socorro. 

Ele foi fustigado pelo calor intenso, pela sede, fome e o medo das feras marinhas. Levado ao extremo, desmaiou, ficando a deriva, sendo guiado ao sabor das ondas e do vento. 

Como um milagre, ele foi lançado sobre a praia de uma pequena e rochosa ilha vulcânica. A ilha possuía vegetação rala e os recursos eram escassos. Cada dia era uma nova batalha pela sobrevivência.

Os dias seguiam longos e malemolentes. Ben-Judá, além do calor, fome e sede, começou a ser fustigado impiedosamente pela solidão. 

A vida se tornou insuportável, até que um presente dos “céus” foi trazido pela maré: um filhotinho de chipanzé. O pequeno animal, apesar de jovem, tinha “ares de inteligência”. Com pouco tempo ele se tornou o companheiro de todas as horas. Cada dia descortinava uma nova aventura ao lado do jovem pupilo.

O tempo foi passando e o chipanzé crescendo. O apetite do animal também cresceu e cada dia se tornava mais difícil alimentá-lo. Sem dar conta da situação, Ben-Judá se tornou o alimento de seu jovem pupilo. Sua opção pela solidão foi também sua opção pela morte.

A tragédia anunciada é que o jovem chipanzé matou aquele que lhe provia o alimento. O lento, porém, infalível tempo foi também o algoz do jovem chipanzé.
Busca satisfazer seu próprio desejo aquele que se isola; ele se insurge contra toda sabedoria” Provérbios 18:1.

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