Frases

20 de jan de 2012

O Israel escatológico


por Aila Pinheiro

Existe o Israel político, é um país entre os demais, com uma longa história de perseguições, e com uma cultura milenar que ainda hoje surpreende as nações. Esse país com seu sistema político e tudo o mais, é o resultado histórico de um povo que está presente na Bíblia dos cristãos e que foi constituído como povo de Deus, com uma aliança com Deus e, como relata a própria Bíblia, sempre esteve lutando ao lado de Deus e também contra Deus, como mostra o texto de Gn 32:28.

A comunidade que escreveu os documentos de Qumran acreditava que existia um Israel político e um verdadeiro Israel. Para aquela comunidade o verdadeiro Israel é composto de todos os descendentes dos hebreus que aderem a uma nova aliança com Deus (Jr 31:31) através do messias. Então, para Qumran existe o Israel político e o Israel verdadeiro (escatológico). Os qumranitas diziam de si mesmo ser o Israel verdadeiro.

O apóstolo Paulo retoma isto e vai além, para ele o Israel escatológico é composto não apenas pelos descendentes dos hebreus que aderem ao messias, mas também pelas pessoas de todas as nações que aderem à nova aliança através do messias Jesus. Paulo usa a parábola da oliveira verdadeira e o enxerto com ramos de oliveira silvestre (Rm 11). Tal reflexão também está presente em Apocalipse 7:4 e 7:9. Ou seja, se Israel é o povo de Deus, tem que decidir-se por estar sob a vontade de Deus e aderir ao messias. Esse é o Israel de Deus, não é o país Israel. Muitas pessoas do Israel político estão empenhadas em fazer a vontade de Deus, outras não.

A igreja não é um novo povo, a igreja não substitui Israel, mas o Israel político não tem como primeiro objetivo fazer a vontade de Deus. Israel tem objetivos políticos e é um país com governo secular igual a qualquer outra democracia no mundo. Isso é o que eu penso e concluo isto de um estudo bíblico sério e igualmente de um estudo da história de Israel.

Para o rabino Yosef Shulam, o Israel escatológico é o conjunto dos descendentes dos hebreus que aderiram ao messias Jesus. Os demais seguidores de Jesus que pertencem a “todas as nações, tribos, povos e línguas” não participam do povo escatológico, esses últimos são o cristianismo e aqueles primeiros são o povo escatológico. Está aqui o principal ponto de discordância entre nós. O que faz alguém ser povo de Deus é estar em aliança com Ele, se não está em aliança é Lo-Ammi “não meu povo” (Os 1:9). A igreja, corpo do messias, é composta de membros gentios e hebreus resgatados pelo sangue do Cordeiro, ou a oliveira com enxertos. A vida eterna é o conhecimento do Deus único e verdadeiro e de Jesus Cristo, seu enviado (Jo 17:3). E isto não é algo reservado somente para os descendentes dos hebreus, é para todos. De judeus e gentios, de ambos, foi feito um só (Ef 2:14).

A Primeira carta de Pedro diz aos cristãos gentios: “Antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus, não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia (1Pd 2:10).

Da mesma forma que é errado dizer que a igreja substituiu Israel, é errado dizer que o judaísmo messiânico substitui a igreja. Quem está no seguimento de Jesus faz parte da igreja, seja de que origem for, judeu ou não. E assim como era errado gentilizar o judeu, também era errado judaizar o gentio. Muitos querem ser judeus acreditando assim pertencer a uma categoria melhor de seguidores de Jesus. Quanto mais estudamos o judaísmo, mais entendemos a fé cristã que tem suas raízes lá. Mas não precisamos ser judeus para ser seguidores de Jesus, isso já foi resolvido no início da igreja. Muitas vezes as pessoas dizem restauração, mas elas estão querendo dizer substituição dos 2000 anos de cristianismo pelo judaísmo messiânico. Restaurar é reconhecer as raízes, deixar-se avaliar por elas para ver o que houve de distanciamento da proposta de Jesus. Restaurar não é se tornar judeu.
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