Frases

6 de out de 2011

Apocalipse chegando?


por Brennan Manning

Os dias que vivemos são propícios ao pânico, pois os burocratas messiânicos uniram forças aos relações-públicas do apocalipse para lançar previsões sobre o iminente fim do mundo. Eles procuram interpretar catástrofes como a do genocídio na Bósnia, a grande enchente do meio-oeste norte-americano, em 1993, e o terrorismo em larga escala nos Estados Unidos e fora dele. Tentam combinar símbolos do livro do Apocalipse com eventos históricos específicos, e aí logo a aventura humana chegará ao fim.

Os burocratas messiânicos e os relações-públicas do apocalipse podem estar certos quanto ao ultimato tenebroso de que a história chegou ao fim e o extermínio das espécies está próximo. Os males da geração atual podem, de fato, ser interpretados como sinais definitivos da intervenção final de Deus para promover um apogeu furioso, com grande destruição e incrível triunfo. No entanto, já que Jesus renunciou a qualquer conhecimento sobre o dia e a hora (Mt 24:36), eles podem estar completamente enganados.

O apocalipse exerce certa fascinação mórbida sobre a mente humana. Sobrevive com facilidade às circunstâncias que o originaram. Sempre vemos grupos que predizem o fim do mundo sobre as cinzas de todas as predições anteriores. Os símbolos são sempre vulneráveis às mentes muito literais, e as imagens exageradas do apocalipse parecem mais propensas a ser tomadas literalmente do que quaisquer outras. Mas a tendência de tomar o apocalipse com gravidade exagerada se deve mais à doença da mente humana do que a qualquer falha que lhe seja inerente.

Os falsos profetas, que jogam com o medo inato das pessoas de desagradar a Deus, serão cada vez mais abundantes, levando-as a loucas peregrinações e gerando pânico. Mas quando ouvimos o pulsar do coração do Rabino, recebemos uma palavra tranquilizadora: "Contei-lhes todas essas coisas de antemão. Psiu! Aquietem-se. Estou aqui. Está tudo bem."

Em vez da agitação do fim dos tempos e dos pensamentos sobre destruição, Jesus nos diz para ficarmos alertas e vigilantes. Devemos evitar os profetas da destruição e os loucos que procuram transformar o apocalipse num grande show. Devemos praticar a justiça, amar com ternura e andar humildemente com nosso Deus (Mq 6:8).

É preciso reivindicar, a cada dia, o fato de sermos amados, e viver como servos, conscientes da atualidade da ressurreição. Não dedicamos atenção a charlatões ou pretensos profetas que manipulam a lealdade dos outros para satisfazer seus propósitos egoístas. Edward Scillebeeckx, extraordinário teólogo europeu, ganhador do prêmio Erasmus, afirmou:
A única resposta correta e adequada à pergunta que todos faziam nos dias de Jesus - e que, no Novo Testamento, os discípulos também fizeram: "Senhor, quando virá o fim e quais são os seus sinais?" - é portanto, a seguinte: não quebrem a cabeça por causa dessas coisas; vivam uma vida comum na condição de cristãos, de acordo com a prática do reino de Deus; desse modo, nada nem ninguém lhes sobrevirá de forma inesperada, a não ser o governo libertador do próprio Deus [...] Não importa se você agora está trabalhando no campo ou moendo milho, se é sacerdote, professor, cozinheiro, porteiro ou aposentado. O que importa é como está sua vida quando você se apega à luz do evangelho de Deus, cuja natureza é amar toda a humanidade.

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