Frases

16 de fev de 2011

Quando tudo diz que não... Talvez seja "não" mesmo!

Estes são dias de milagres e milagreiros. De verdades e inverdades. De profecias e “profetadas”. No entanto, não cabe a mim, dizer o que vem e o que não vem do maligno a não ser que contradiga as Escrituras ou o Espírito testifique do contrário. Sigo o conselho de Gamaliel, esperando que o é de Deus permanecer (Atos 5:39).

Um forte incentivo a adesão de novos membros, feito por muitas igrejas evangélicas, é o apelo ao sobrenatural. Não é difícil encontrarmos diversas denominações, históricas ou não, fazendo merchandising com a possibilidade do Transcendente realizar um milagre. Faixas com os dizeres “Noite de explosão de milagres”; “Pr. Fulano que morreu com uma facada no coração, estará contando seu testemunho”; “Profeta Cicrano trará a revelação de Deus para sua vida”; “Venha receber a sua benção”; “Esta noite com o missionário Beltrano, ex-travesti, ex-presidiário, ex-bruxo, ex-portador de AIDS, venha ser abençoado”; “Noite do ‘cessar de pragas’”; “Venha receber a revelação profética para sua vida” e por aí vai.

Creio no poder de Deus e diferentemente de muitos, acredito na ação de Deus através de milagres em nossos dias. Conheço pessoas que experimentaram o sobrenatural de forma inacreditável. Também experimento deles. No entanto, nem sempre o milagre acontece. Certa vez orei por uma menina em estado terminal de câncer e a resposta de Deus foi o silêncio. Em meu coração eu sentia que aquela não era a hora dela morrer e que o milagre iria acontecer, no entanto Deus fez o contrário.

A razão pela resposta negativa de Deus, eu não sei. Mas de fato Ele sabe o que faz. O que realmente deve-se levar em consideração é a existência do sofrimento no mundo. Á pergunta “Por que Deus realiza alguns e não todos os milagres que esperamos?”, também não tenho resposta. Assim como milhares de outros cristãos, estou em busca da resposta.

Um dos livros "apócrifos" em circulação entre os cristãos primitivos conta a história de uma mulher chamada Tecla, uma convertida do apóstolo Paulo. Supunha-se que sua fé a defendesse de todos os ataques: animais selvagens recusaram-se a comê-la, e homens repentinamente pararam no ato de violentá-la. Quando seus torturadores tentaram queimá-la na estaca, uma nuvem de chuva e saraiva apareceu em cima e extinguiu as chamas. Veja um trecho:
Tecla confessa ser serva de Jesus ainda no meio das feras, o Governador perguntou-lhe: “Quem és tu? E qual é o escudo que te rodeia, para que nenhuma fera te toque?” Ela respondeu: “Eu sou a serva do Deus vivo. Quanto ao que me rodeia, eu acredito no Filho de Deus no qual ele se compraz. É por isso que nenhuma dessas feras me tocou; pois somente ele é a plenitude da salvação e o alicerce de vida eterna. Pois ele é o refúgio dos naufragados, a consolação dos oprimidos, o amparo para o desesperado; por isso mesmo, quem não acreditar nele não viverá, mas morrerá para sempre.” Quando o Governador ouviu aquilo, ele mandou que roupas fossem trazidas e lhe disse: “Vestes estas roupas.” Mas ela respondeu: “Aquele que me vestiu quando estava nua no meio das feras, vestir-me-á com a salvação no dia do julgamento”. 
O livro teve ampla circulação, mas basta ler outros livros da história da igreja, como O Livro dos Mártires, para descobrir por que, no final, rejeitou-se a história de Tecla como sendo apócrifa. Nem mesmo uma histórica cheia de milagres serviu para que a história de Tecla fizesse parte do Cânon bíblico.

Como já afirmei, creio que os milagres são para os nossos dias também. No entanto, eles não são a razão de irmos de encontro a Deus. Nem mesmo a mais “milagrosa” de todas as experiências terá valor algum se Cristo não for a finalidade do milagre. Se formos atrás de Jesus pelos milagres poderemos ficar frustrados como Herodes ficou (Lucas 23:7-11), ao ouvir o silêncio de Deus. Pois o milagre é apenas uma seta indicadora de onde o Cristo está e não o próprio Cristo.

FARIA, Frei Jacir de Freitas. A vida secreta dos apóstolos e apóstolas à luz dos Atos Apócrifos. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 73-74.
YANCEY, Philip. Decepcionado com Deus: três perguntas que ninguém ousa fazer. São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 190. 

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