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8 de fev de 2011

Entre reformas e Reforma

Grau colado, vamos dar seqüência a vida. Ao texto! rsrs.

A história do cristianismo, considerando a história da fé dos judeus como parte dela, é marcada por revolucionários que viam a necessidade de mudanças na forma de prestar culto a Deus. Se considerarmos desde os mais antigos textos bíblicos passando pelos mais recentes do Novo Testamento, perceberemos que muitas foram as tentativas.

Não quero falar de todas, até porque é um trabalho minucioso que precisará de um tempo que não disponho hoje, mas quero citar rapidamente de algumas reformas.

Jetro, sogro de Moisés, aconselhou a seu genro que dividisse o poder (Êxodo 18:14-24). Foi uma reforma e tanto para a época uma vez que o sistema de liderança, quase patriarcal, exercido por Moisés era o que o povo tinha como correto. Mas o que fazer quando o povo é grande em número? Dividir o poder.

Davi, o maior rei de Israel, tencionou reformar a religião de seu povo centralizando o culto a Deus em Jerusalém (1 Cr 13:1-29:30). O rei quis construir uma casa para Deus, no entanto foi seu filho Salomão quem concretizou o sonho de Davi. Acreditavam que assim o povo seguiria a religião corretamente e Deus seria sempre com eles.

Josias conduziu o povo a uma reforma religiosa após o sumo sacerdote Hilquias encontrar um livro (provavelmente Deuteronômio ou todo o Pentateuco), durante uma reforma no Templo (2 Rs 22). Ao ouvir o que continha o rei caiu em profundo arrependimento e realizou a reforma conforme lemos nos capítulos seguintes. A reforma não deu certo como podemos perceber pelos oráculos de Jeremias.

Esdras e Neemias foram os escolhidos por Deus para refazerem a casa de Israel. Após o rei da Persa, Ciro, permitir que eles voltassem para sua terra, os dois começaram talvez uma reforma nunca antes vista em meio ao povo de Deus. A leitura da Lei diante do povo, a reconstrução dos muros, do Templo, a expulsão das mulheres não israelitas do meio do povo fizeram parte desta reforma. Eles queriam que o povo cumprissem os mandamentos para que Deus os livrasse de um novo exílio.

Lutero, o maior dos reformadores de sua época, redescobriu a Bíblia. Seus esforços para que o povo conhecesse a Deus através das Escrituras por si mesmo, o levou a pregar no dia 31 de outubro de 1517, na porta de igreja de Wittenberg as suas famosas 95 Teses. O reformador alemão, queria reformar a igreja romana e não fundar uma nova igreja. Mas fracassou nisso. Inevitavelmente esse foi o caminho trilhado pelos que deram crédito as idéias de Lutero. E os países que estavam cansados de pagar tributos a igreja romana, logo abraçaram a nova vertente do cristianismo. O que Lutero tencionou reformar, o homem, verteu-se em reforma institucional.

- Os movimentos avivamentalistas, como o pentecostalismo de primeira onda, reformaram o jeito "frio" que os ditos "tradicionais" tinham em relação ao Espírito que receberam de Cristo. Os carismas foram enfatizados e a ausência deles, criticada. Os carismas receberam tanta importância que passaram a ter primazia em relação às Escrituras - fugindo do foco de Lutero e sua reforma. Com o tempo o mundo protestante estava dividido em tradicionais e pentecostais (o que pode melhor ser visto na América do Norte).*

Propositalmente saltei algumas "reformas", pois como disse, não tencionei fazer um levantamento completo. Também deixei para o fim, tirando da ordem cronológica a maior de todas as "reformas", a Reforma de Cristo:

- Jesus Cristo veio para realizar uma reforma que nenhum homem pode realizar: a reforma do homem. A obra salvífica de Cristo veio trazer libertação do homem contra seu maior adversário: o próprio homem. Esta reforma não podia ser oferecida por nenhum homem. Nenhum homem está capacitado para oferecer esse tipo de libertação. 

Jesus anunciou a chegada de Seu reino e disse que seu primo João, era o maior da primeira aliança, mas o menor da nova aliança (Lc 7:28). João vivia separado do mundo religioso de sua época, vivia no deserto. Alimentava-se do que Deus lhe dava no campo. Era separado da falsidade religiosa de sua época. Nem mesmo os fariseus podiam lhe repreender, antes por ele eram acusados (Mt 3:7). Era o ideal do deserto.

Mas na reforma que Jesus veio inaugurar, o reino de Deus, João era o menor. Jesus não veio reformar a religião, Ele veio reformar o coração do homem. Jesus não queria nem mesmo um templo de pedra para que pudesse ser adorado pelo "novo homem", Ele veio fazer morada no interior do homem. Ele veio para ser acessível a todos os homens, mulheres, crianças, pobres e ricos.

A reforma de Jesus não consentia com o isolamento no deserto para alcançar a santidade. Com esta reforma, somos todos chamados e capacitados para viver no meio dos pecadores chamando-os de volta para Deus. Esta reforma nos aponta para o ideal do Éden, a intimidade com Deus. No Éden, o único mandamento é não se afastar do Senhor.

Esta é a maior diferença entre as reformas realizadas por homens e a reforma realizada por Cristo: os homens tencionaram dar uma nova forma ao que já estava errado desde o início; Deus deu ao homem a chance de começar novamente, voltando ao ventre e nascendo de novo. A reforma de Cristo jamais foi institucional ela é uma reforma humana.

Como bem disse Caio Fábio, a necessidade do povo de Deus não é de uma nova reforma e sim de Regeneração: "Aqui, sem alarde, com total sinceridade no Evangelho, convidamos você a abraçar a busca da Regeneração; pois, o que a 'igreja' precisa a fim de se tornar Igreja, segundo Jesus, é de Regeneração, de conversão, de arrependimento e de iluminação do Evangelho na Graça de Deus".

Se o homem for "reformado" (leia-se regenerado), não precisaremos dar uma nova forma a "igreja".

*Sei do valor do movimento e reconheço sua importância na história do cristianismo. Mencionei-o de forma simplista, pois como disse não é minha intenção fazer um levantamento histórico completo.

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